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  • Foto do escritorJunji

Pós-graduação no Japão? "De graça"?

Atualizado: 6 de jun. de 2018

Olá, seres vivos.


Vejo que muitas pessoas hoje em dia estão procurando estudar no exterior. Um diploma de pós graduação numa universidade internacional é uma ótima adição para o currículo, o que torna inegável os benefícios de se ter pelo menos uma parte de seus estudos fora do país. Como muitos já devem saber (ou não, vai que você não leu minha bio), eu tirei meu mestrado e quase todo o meu doutorado no Japão. Mas afinal, como diabos eu consegui estudar no Japão? Como consegui comprar a passagem e arcar com a estadia e com as necessidades do dia a dia sem ter um trabalho? Bom, meus queridos, estou aqui para lhes explicar o passo-a-passo de todo o processo da bolsa de estudos Monbukagakusho (文部科学省, também conhecido como Monbusho entre os intercambistas no Japão).


Antes de continuar, porém, vou explicar neste post somente os detalhes da minha experiência e do que eu optei na hora da escolha da bolsa de estudos. Há várias outras opções que com certeza se aplicam à você - e, caso queiram saber de outras formas, eu me prontifico a explicar para vocês. Não planejo também escrever todos os detalhes de como aplicar para a bolsa de estudos, uma vez que todas a informações necessárias se encontram no site da embaixada e dos consulados japoneses no Brasil (links disponíveis no fim do post).

Em frente à entrada da Universidade de Kyushu (2011).

Se você está no seu último ano de faculdade ou é graduado, e possui menos de 34 anos no ano em que você irá partir para o Japão, você está praticamente apto a aplicar para a bolsa. Você não precisa necessariamente falar o japonês, uma vez que o processo só exige proficiência ou na língua japonesa ou na inglesa.


Independente se você tem ou não um bom domínio na língua inglesa e confia nas suas habilidades linguísticas, eu recomendo verificar e estudar as provas dos anos anteriores. Certificados de proficiência como o TOEFL (Testo of English as a Foreign Language), FCE (First Certificate in English), CAE (Certificate of Advanced English) ou CPE (Certificate of Proficiency in English) não são válidos no processo de seleção. A estrutura da prova de eliminação de língua inglesa que os consulados e a embaixada japonesa no Brasil aplicam é completamente diferente de todas as outras formas de testes mencionadas acima. Se eu não me engano, há um tempo limite de 60 minutos para realizar a prova, e caso você tenha uma familiaridade com a estrutura do exame, você já está em vantagem.

Castelo de Kumamoto, visto de baixo.

Além de comprovar sua proficiência no idioma escolhido, você precisa ter um projeto de pesquisa bem estruturado quando for enviar seus documentos para a embaixada/consulado. Algumas perguntas válidas de se perguntar antes de enviar são:

  • “Qual benefício minha pesquisa trará no âmbito social?”

  • “Quão original é a minha proposta de pesquisa?”

  • “A universidade que estou tentando aplicar vai se beneficiar do meu trabalho?”

  • “Como poderei aplicar o conhecimento adquirido no Japão quando voltar ao Brasil?”

Essas perguntas não estão escritas em nenhum guia, mas acredito que são pontos cruciais quando se cria um projeto de pesquisa que é, teoricamente, inovador. Porém, lembre-se de que inovador não é sinônimo de inviável. Certifique-se de verificar os limites impostos pelas pesquisas científicas da atualidade. Procure ler artigos científicos da sua área e tente encontrar pontos que ainda não foram analisados.


Prepare-se também para uma entrevista caso passe pelo exame escrito. Acredito que cada consulado possui sua própria forma de realizar tal processo, mas acredito que o mais importante é ver que você esteja aberto a encarar uma cultura completamente diferente da sua. Nasci e cresci em uma família japonesa, e mesmo assim a experiência me desafiou mais do que eu imaginava (opinião honesta, não vou dizer que é fácil, mas posso dizer que com certeza é altamente satisfatória).


Por fim, a responsabilidade de encontrar uma universidade e um professor orientador no Japão é totalmente sua. Recomenda-se iniciar o processo de busca de orientador somente quando você passe na entrevista. Porém, nada lhe impede de encontrar o quão antes uma universidade e um orientador que queira te aceitar em sua equipe. Entrar em contato com um orientador através de um email, dizendo que está aplicando para a bolsa de estudos de Monbukagakusho e que está interessado em suas pesquisas.

A bolsa de estudos Monbukagakusho oferece ao estudante selecionado uma renda de 143.000 ienes mensais, que pode variar levemente de acordo com a região onde você irá residir. Caso não ache suficiente, há sempre a possibilidade de realizar trabalhos temporários, contanto que ela não ultrapasse a quantidade de 28 horas semanais. O Monbukagakusho também arca com a mensalidade da universidade, além das passagens tanto de ida quanto de volta para o Japão.

Vista de cima do castelo de Kumamoto.

Um último aviso: o intercâmbio no Japão não é uma das mais fáceis. Há diversas barreiras físicas, culturais e sociais que se provam um grande desafio para qualquer intercambista. Porém, caso você esteja sedento por uma nova aventura, em ampliar seus conhecimentos e em busca de crescimento pessoal e profissional, o Monbukagakusho é sem dúvida a escolha certa.


Boa sorte!


Junji


Obs.: Todas as fotos acima foram tiradas em 2011 através de uma câmera de não tão boa de minhas professoras de língua japonesa da época.

Mais informações: http://www.br.emb-japan.go.jp/itpr_pt/bolsas_programas.html

Caso seja residente de outros estados, verifique a sua jurisdição aqui: http://www.br.emb-japan.go.jp/itpr_pt/enderecos_uteis.html

Provas anteriores: http://www.studyjapan.go.jp/en/toj/toj0302e-32.html#1

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